sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Congregação do Santíssimo Redentor - Redentoristas


A Fundação da Congregação do Santíssimo Redentor por Santo Afonso Maria de Ligório
Um carisma nascido do coração de Cristo para os mais pobres

1. O chamado interior de Afonso

Santo Afonso Maria de Ligório nasceu em Nápoles em 1696 e se destacou desde jovem por sua inteligência e sensibilidade espiritual. Foi um advogado brilhante, mas abandonou a carreira aos 27 anos após uma experiência de profunda frustração e discernimento vocacional. A partir de então, dedicou sua vida ao serviço de Deus como sacerdote.

Durante seus anos como missionário em Nápoles e arredores, Afonso percebeu que o povo mais pobre e simples, especialmente nas áreas rurais, estava espiritualmente abandonado. Muitos não tinham acesso à Eucaristia, à confissão, nem compreendiam os fundamentos da fé cristã. Sofriam com a ignorância religiosa e com um moralismo rigoroso que afastava em vez de atrair.

Essa realidade causou profunda dor e inquietação no coração de Afonso. Ele entendeu que o Evangelho precisava ser anunciado de maneira acessível, com linguagem simples e centrado na misericórdia de Deus.

2. A fundação em Scala – 1732

Em 9 de novembro de 1732, após intensas orações, diálogos com bispos e superação de muitas resistências, Santo Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, conhecida como Redentoristas, na cidade de Scala, perto de Amalfi, no sul da Itália.

A fundação foi marcada pela simplicidade e pela confiança na providência divina. Os primeiros membros viviam de modo austero, em fraternidade e intensa vida de oração, e saíam em missão levando o Evangelho às vilas, campos e regiões montanhosas. O ideal era seguir o exemplo de Cristo Redentor, que se encarnou e veio ao encontro dos pecadores e marginalizados.

3. O carisma redentorista

O carisma dos Redentoristas está intimamente ligado ao mistério da Redenção: Cristo veio salvar o que estava perdido. A espiritualidade da congregação é cristocêntrica, marcada por:
  • Amor profundo à Paixão e Morte de Jesus

  • Devoção à Eucaristia

  • Entrega total à vontade de Deus

  • Ternura filial à Virgem Maria (sobretudo como Mãe do Perpétuo Socorro)

  • Vida missionária entre os pobres e abandonados

O lema da Congregação é retirado do Evangelho de Lucas:

"Evangelizare pauperibus misit me" – “Ele me enviou a evangelizar os pobres” (Lc 4,18)

Este versículo resume a identidade dos missionários redentoristas: evangelizar com alegria, proximidade, clareza e misericórdia.

4. As missões populares: um método transformador

Santo Afonso desenvolveu uma metodologia inovadora de missões populares, que consistiam em semanas intensivas de evangelização em comunidades paroquiais. Os missionários pregavam para todos, ouviam confissões, visitavam os doentes, animavam a vida litúrgica e promoviam a conversão pessoal e comunitária.
  • As missões tinham como pilares:

  • Linguagem simples e tocante

  • Temas práticos e acessíveis à vida do povo

  • Ênfase na misericórdia e no perdão de Deus

  • Forte devoção a Maria

  • Renovação espiritual da comunidade

Esse modelo de missão transformou a Igreja local e continua sendo usado até hoje.

5. Crescimento e reconhecimento da Igreja

Apesar das dificuldades, incompreensões e crises internas, a Congregação se consolidou. Em 1749, a Santa Sé aprovou oficialmente as Regras da Congregação, reconhecendo a importância do seu carisma para a Igreja.

Santo Afonso dedicou boa parte de sua vida à formação dos missionários e à escrita de obras de espiritualidade, teologia moral e orientação pastoral. Sua obra-prima é a "Teologia Moral", na qual propõe um caminho equilibrado entre justiça e misericórdia, sem o rigorismo jansenista nem o laxismo moral. Ele foi proclamado Doutor da Igreja em 1871, pelo Papa Pio IX, e é considerado o Padroeiro dos confessores e teólogos moralistas.

6. A missão redentorista hoje

Atualmente, os missionários redentoristas estão presentes em mais de 80 países nos cinco continentes. São padres, irmãos consagrados e leigos que continuam a missão iniciada por Santo Afonso. Eles atuam em:
  • Missões populares

  • Paróquias e santuários

  • Comunicação social (rádios, TVs, editoras)

  • Defesa da vida e dos direitos humanos

  • Promoção vocacional e formação cristã

  • Acompanhamento espiritual e pastoral do povo

Destaca-se o trabalho junto aos mais pobres, marginalizados e afastados da fé, fiel ao espírito de Santo Afonso.

No Brasil, os redentoristas são muito conhecidos por sua atuação em santuários marianos, como o de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Curitiba e Nossa Senhora Aparecida, no maior santuário mariano do mundo, em Aparecida/SP.

7. Um legado de amor e missão

A fundação da Congregação do Santíssimo Redentor não foi apenas um fato histórico, mas uma resposta de amor radical à necessidade do povo. Santo Afonso entendeu que a verdadeira evangelização passa pelo coração, pela compaixão, pela escuta e pelo anúncio da salvação como um dom gratuito.

Seu legado permanece vivo: onde houver um missionário redentorista, haverá uma palavra de esperança, um gesto de ternura, um chamado à conversão e um coração ardente de amor a Cristo Redentor.

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